O '8 ou 80' da aviação comercial



Me lembro de ver fotos da minha tia, viajando para Paris pela primeira vez aos quase 30 anos de idade, de casaco de pele e chapéu. Histórias do meu avô sendo tratado como rei na ponte aérea Rio-São Paulo, com champanhe e cortesia. Era uma ocasião tão especial viajar de avião, que viravam histórias contadas para a família com muito orgulho, o orgulho da conquista deste luxo. Isso faz 30 anos, talvez 40 anos.


Hoje as coisas mudaram. Este luxo se democratizou como a gente bem sabe, e que bom que a sociedade evoluiu ao ponto de muita gente poder viajar de avião o tempo todo.


Agora, pára e pensa no que aconteceu com as companhias aéreas nesses 30 a 40 anos. Algumas faliram, outras surgiram, mas (de verdade) não aconteceu muita coisa do ponto-de-vista do negócio. A única que me vem à cabeça são cortes: de custo, espaço e conforto. Não tem mais comidinha gostosa nem espaço para suas pernas, e nem pensa em abrir os braços para virar a página do jornal (que por sinal não é mais distribuído) porque você esbarra no vizinho até sem se mexer. A distância de um assento para o outro à frente e ao lado encolheu para 71 centímetros em alguns voos, quando o mais comum são 81 cm na classe econômica, de acordo com fabricantes de cadeiras. Em algumas aeronaves a poltrona nem reclina. Os banheiros? Minúsculos e em quantidade insuficiente. Os corredores, igualmente apertados dificultam a locomoção. Alguém já avaliou o impacto dessas medidas na saúde das pessoas?

A fim de viabilizar o negócio e as reduções de preços as companhias se veem cada vez mais obrigadas a reduzir o espaço e colocar mais passageiros em cada voo. Para os negócios a iniciativa parece que deu certo: a medida que o preço das passagens caiu 5% em 2015, a margem das companhias aéreas melhorou. Já em 2016, com a crise econômica no Brasil, a saída foi aumentar o preço e reduzir o número de voos, lotando os aviões.


Para mim é uma equação que não fecha. Se mais gente tem dinheiro para viajar de avião, ou maior necessidade de locomoção, certamente existe uma oportunidade para se oferecer algo a mais para o consumidor que queira (ou precise de) mais conforto. E todo mundo sabe que as diferenças de preço entre a classe econômica e a executiva são distantes demais. Certamente há um meio-termo e também um segmento de consumidores que se dispõe a pagar mais por um lugar com maior espaço (sem todas as comodidades da classe executiva necessariamente). Não existem só dois tipos de consumidores no mundo!

Em um voo se vê famílias com bebês, idosos, gente de férias, gente que dorme fácil no voo, gente que não, gente saudável, gente doente, enfim, gente com as mais diversas características para as quais o mesmíssimo tipo de produto e serviço é ofertado. Não dá para pensar em nada? Não é possível inovar de alguma forma? Falta glamour sim, mas antes dele, falta respeito com as pessoas e os consumidores que pagam esta conta há bastante tempo por não terem outra alternativa.


Fica aqui um convite, ou melhor, um apelo, para que alguém pense em algo novo. Ou explique porque é tão difícil inovar.

#aviação #viagem #segmentação #inovação #oportunidades #estratégia #negócios

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